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8.4.09

enquanto ando

quem sabe falar fala
quem não sabe ouve
quem cala consente

a aparência e a postura
indicam estigmas culturais

enquanto ando
         assisto a cidade
sou urbano
    tomo o ônibus
    e ele me toma

assito a cidade
         enquanto ando

20.2.09

subjetivação

não há caminhos programados para a vida
cada um se constrói e acontece no dia-a-dia
somos afetados e afetamos os meios e pessoas que transitamos

as questões são..
o quanto se afeta ou se deixa ser afetado?
quais são os sentidos e significados criados?
por onde o desejo passa?

cada um de nós somos vários
há o que nos aproxima de mais próximo e de mais distante
e já não somos somente nós mesmos, mas fomos alterados,
esticados, aspirados, corroídos, multiplicados, ...
 
tudo isso é vida, energia e expansões
a doença é o aprisionamento, a parada de processos

aos poucos vamos apreendendo a selecionar
o que convém ao nosso corpo e o que não convém
o que com ele se compõe, o que tende a decompô-lo
o que aumenta sua força de existir, o que a diminui
o que aumenta sua potência de agir, o que a diminui
vamos compondo e arteando
 
só que nos enganamos também
pois nosso corpo por vezes muda sem mesmo nos avisar
e toda nossa paixão aumenta nossa potência em agir


10.7.07

trechos

trechos



a mente é programada
a vida afetada
o sentimento silenciado
o existir limitado

herdamos doenças psíquicas e fatalidades
de nossos pais, avós
sociedade, cultura
escola, vizinhos
amigos, primos ...
herdamos tampões nos olhos
e nebulosas na mente

aquelas frases prontas
aqueles olhares
aqueles risos
aquelas maneiras de agir em cada momento
aquelas prontas, que não me pertencem
que me tomam conta em certas situações
das quais desgosto

ser ou não ser não é a questão
há muito mais o que viver do que comprar
fácil é gostar de quem gosta do que gosta
de quem acredita no que acredita
quero ver cagar no mato
cair de cara
sacar o jogo
vencer o risco..

pense o que quiser
concorde, discorde
cuspa, chute
publique com teu nome
com nome falso, sem nome

convido-te a quebrar as idéias
de direitos autorais
e todas essas tralhas
que regram a escrita
a arte e a vida

24.6.07

o povo sumeriano

os caçadores viviam de sua caça
e quando não haviam mais animais
seguiam até outra manada
nômades, sujos, viajantes
conhecedores de vasta cultura
trocavam mineirais com os sedentários
que vivam do plantio da terra
faziam cerâmica e tecidos
mas pouco havia o costume
de se banhar todos os dias
a cidade carregava um forte odor de suor
para eles isso era tão comum
quanto a poluição dos carros para nós

15.1.07

vidaspoliticos

viver para comprar bugigangas
trabalhar e ter filhos
e ensina-los o mesmo

comprar para gastar dinheiro
encher a casa de enfeites
pra esconder-se do espelho

liquidificador às pressas
batedeiras à prestação
bate a vida sem coração

avô, pai, filho

avô estuda avô trabalha avô compra
pai estuda pai trabalha pai compra
filho estuda filho trabalha filho compra

avô casa filho nasce filho estuda
pai casa filho nasce filho estuda
filho casa filho nasce filho estuda

...
...
...

22.12.06

teatro do cotidiano

fingir: o espetáculo da vida
[o teatro do cotidiano]


a economia da imagem e acção

trocar a dor do trabalho
da poluição e do estresse
pelos prazeres
dos produtos da cidade grande

tendas de pessoas amontoadas
procurando emprego
mixando culturas

filhos do medo da repressão
adestrados ao consumo
em favor de outros e outros
pouco a seu favor

entra ano, sai ano
o todynho continua com o mesmo sabor
e a estação ana rosa
                continua no mesmo lugar

22.6.06

heranças

herdamos doenças psíquicas e fatalidades
de nossos pais, avós, sociedade, cultura,
escola, vizinhos, amigos, primos, ...

herdamos tampões nos olhos
e nebulosas na mente

12.6.06

quem cria

quem cria


conspira
   inspira
   resfria
   tardia calma


perante o som....
      (respira)

e cospe!

23.8.01

cadeia alimentar

o homem cria o automóvel
os automóveis provocam o trânsito
o trânsito incomoda o homem