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21.3.10

espaços internos e externos

estar consigo seja onde estiver
captar os meios de ação
ocupar e se apropriar das coisas em seu lugar

que o ser exista nos espaços
e que os espaços existam no ser
trazendo para dentro, a somar, mixar e cuspir

13.1.10

quem sou-mos?

no início era o nada
e aos poucos foi se entortando
em neuroses e especulações..

a realidade está dentro
entre fluxos e processos
em conjunto com o devir

e quem sou-mos?
um grande mistério..
(deixe a lagartixa em paz)

14.12.09

egoísmo.. gota em gota

agimos de maneira egoísta todo o tempo
buscando sempre o que queremos
- de nosso modo..

as intenções de satisfazer desejos e expectativas
germinam movimentos e maneiras de agir
que na maior parte do tempo nem percebemos..
e achamos que tudo é tão como queremos
que reconhecer isso é um processo
no caminho a equilibrar o que somos
e onde estamos pisando

13.11.09

barreiras e fluxos do devir

uma grande barreira ao relacionarmos com os outros
está no julgamento que fazemos do outro por base distante,
de nossa vida - tão particular e singela..
(([o outro é o outro, são diferentes possibilidades de ser]))

que se libertem as neuroses e se perca a noção de 'eu'
vivendo os fluxos do devir, tão vivo quanto um animal

7.11.09

falamos muitas coisas que não sabemos e que não somos
..é difícil saber o que se é - pois somos muitos
tanto quanto perceber que a idéia de unidade é pura falácia
e a realidade é suja, caótica e bela, por isso ela é humana

as coisas não estão separadas dos valores que agregamos a elas
tudo o que percebemos e sentimos, recebemos como um todo
..qualquer idéia de unidade ou imparcialidade é pura ilusão

28.10.09

viver é expressão..

a realidade é o que a gente sente,
mas o que a gente sente é tão confuso
que fica difícil entender o que é
e o que não é..

estou em lutos (...) lutas internas
as perdas parecem mais significativas
que as constâncias

nos fazemos a partir dos modos de viver
e nas maneiras como se leva o dia-a-dia
o que se pretende com sua arte
é o que se pretende para sua vida

15.10.09

os modos de ser e de se relacionar com os próprios desejos são repetidos, acumulados, comprados e vendidos, ..

e pouco se sabe do que se sente
pouco se sente o que se sente
pouco se vive

9.10.09

o ser e o tempo..

vamos nos transformando com o passar do tempo
não é o tempo que nos transforma,
mas a maneira que nos relacionamos com os seres,
com as coisas e conosco...
o tempo só nos envelhece

27.9.09

diferentes modos de ser

não existem más formações de personalidades
nem personalidades doentes,
mas diferentes modos de ser e agir
com o exterior e consigo mesmo

o que vivemos e sentimos não se limita a classificações
a ser uma coisa ou outra..
vivenciamos múltiplos graus de sentimentos
e os sentimentos se manifestam de variadas maneiras
(há multi-elementos entre as polaridades)

30.8.09

fake

não só a moralidade nos nega
mas também nossa vaidade
ela tenta mostrar não o que somos
mas como queremos ser vistos
um falso, diferente do que somos

11.7.09

não faço poesias

escrevo minha vida
meus ares
minha sede
e minha des-razão

solto trechos em momentos
que não são parte
nem todo
só momentos..

sou este que não se define
e o que você vê
é o que sou
é o que não sou

29.6.09

as tempestades e as maçãs



olho para a noite
e ela suaviza meu ar

sinto o cinza, o calho, magenta
sou o ar e o som



paro e penso
não há que pensar

11.6.09

diferenças e semelhanças

os outros..
me desejam
a sua imagem e semelhança..

e eu troco seus deus
pelos meus eus,
aqueles meus
que sabem que as melhores sugestões
são as deles mesmos

sou muito do que escrevo
e muito do que nao escrevo
poucos muitos e tantos nadas..

14.5.09

meus eus e seus meus

o filho de meu eu com seu meu
está se alimentando, vivendo e crescendo
quem sabe ele não se revolta na adolescência
ou se perca em drogas de vidas e mortes..

as criações acontecem como o fogo
ofuscadas por seus meus em mim
que já se adequam a valores e formas
parecendo estreitas as saídas..

quem sabe se o jeito seria
criar um filho como fosse uma sintaxe?

13.3.09

coisas e seres


uma coisa é o que sou
outra é o que os outros entendem de mim

se eu ser eu mesmo
e mostrar ser outro,
serei outro para os outros
mesmo sendo eu mesmo

to cansado dessa estética
mas por vezes ainda faço

algumas coisas acontecem
de uma hora pra outra
outras à noite
outras ontem

20.2.09

subjetivação

não há caminhos programados para a vida
cada um se constrói e acontece no dia-a-dia
somos afetados e afetamos os meios e pessoas que transitamos

as questões são..
o quanto se afeta ou se deixa ser afetado?
quais são os sentidos e significados criados?
por onde o desejo passa?

cada um de nós somos vários
há o que nos aproxima de mais próximo e de mais distante
e já não somos somente nós mesmos, mas fomos alterados,
esticados, aspirados, corroídos, multiplicados, ...
 
tudo isso é vida, energia e expansões
a doença é o aprisionamento, a parada de processos

aos poucos vamos apreendendo a selecionar
o que convém ao nosso corpo e o que não convém
o que com ele se compõe, o que tende a decompô-lo
o que aumenta sua força de existir, o que a diminui
o que aumenta sua potência de agir, o que a diminui
vamos compondo e arteando
 
só que nos enganamos também
pois nosso corpo por vezes muda sem mesmo nos avisar
e toda nossa paixão aumenta nossa potência em agir


7.2.09

sentidos e vidas

quando não se cria sentidos pra vida
vive-se sentidos dos outros e da mídia
com motivos de bobagens
e etapas de caminhos

uma coisa é o que acreditamos
outra são os papeis que interpretamos

como somos vistos e reconhecidos
é diferente do que somos
não importa para qual lado jogar
mas o que se faz consigo mesmo

5.12.08

tre-chos

não são poemas
mas fragmentos de paisagens
embriões de rizomas
dum prelúdio para o porvir
ao encontro do autêntico tom
compondo um outro novo


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4.11.08

o que sou?

sou o que quero e
por vezes
o que não quero também

não sou o que não quero
por vezes
acabo sendo

sou o que faço e o que não faço de mim

ninguém é a expectativa de ninguém
cada um é cada qual

31.10.08

segmentos

todos os modos de subjetivação são lícitos
ler galhos é percorrer caminhos

cada um é um planeta
num pluriverso
não há o que particionar
nem categorizar

as relações são entre subjetividades
entre galáxias e histórias
e a leitura pode ser tão inventiva quanto a escrita

o texto são palavras
e o leitor é o que vê, interpreta
cada olhar uma versão