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31.1.10

navegar..

ir do caule até a raiz
do tato da terra
o cheiro da terra no ar..

o som da cachoeira
multi-elementos dispostos ao acaso
tudo entrando nos poros da pele
criando outros seres em mim

14.1.10

butoh do corpo próprio

o corpo movimenta o próprio corpo

os movimentos partem de dentro, não de fora
onde..
movimentando-se geram cada vez mais movimentos
(parado gera mais inércia, medo e clausura)

e percebendo cada canto do corpo
suas vibrações, seus graus de equilíbrio e desequilíbrio
desde o fio de cabelo até as unhas do pé
de como age e como se interage com seres, objetos e espaços
como partes e como todo
uno-corpo-pluri-rizoma

8.7.09

meristema apical



numa simples variação de notas, entre la e si, foram surgindo uns improvisos livres no violão. escutando a primeira gravação fiz a segunda sobre a anterior, e escutando as duas mixadas fiz a terceira e, da mesma maneira, a quarta.. compondo o som, somado a cenas em preto e branco (binário), com imagens abstratas que vao se compondo a medida que vao acontecendo, tal como a musica flui..

25.6.09

setas no ar

..belas neblinas
onde se enrolam e se desenrolam
sentem e experimentam fluidos

vidas, lugares,
momentos..

que a brisa soe leve
em seus galhos
com ares de camomila

belas palavras
não compõem caminhos,
muitas vezes
o que mais vale
é o silencio

11.6.09

leituras e vivências

muitos dos que dizem saber o que leram
não sentem sequer uma gota
das palavras que leram..
se aprimoraram em dizer que sabem
e deixaram de lado a experiência,
o sabor e o sentir..

nao é entendendo as palavras
que se compreende algo,
mas entrando num estado de confusão
e abstração de sentimentos e ideias
vivenciadas corporalmente
que se absorvem os rabiscos

palavras tentam expressar experiências
mas para alguns, são só rabiscos
...estão para expandir existencias

24.4.09

soubern


deixe-o ir

próximo, distante, cor uma, cor outra
multidão no inconsciente - matilhas de meus eus
..jogos com mitos

25.3.09

rudimentar renegado

tem tantas coisas que
acabo deixando de fazer
       tantas anti-sociais
que quase sempre me esqueço

tem algo de errado no caminho
esses tantos concretos assim
tão assim parecidos, repetidos
e estáticos

acho que sou meio lobo
               ou macaco
gosto do odor de meu suor
apesar de não gostar também

são os jogos do dia-a-dia
inventados e moldados por humanos
- que podem ser alterados
e podem se aproximar
da terra
das pedras
das árvores
da vida
e de mim

22.2.09

a torrente

as coisas vão se fazer fazendo..
em conexões entre pessoas e objetos
e conexões entre eu comigo mesmo

todos os modos de subjetividade são lícitos

cada um é um planeta
com espaços, territórios, expansões
voando sobre paisagens num pluriverso
acontecendo entre uma e outra vivência

a torrente faz rizoma com a vida
e nós fazemos rizoma com os pares
com os mares e o mundo
por mais imundo que este pareça ser

raízes, galhos e travessias,
o que acontece entre o nascimento e a morte
cada um com seu tempo de vida e de pausa

5.12.08

tre-chos

não são poemas
mas fragmentos de paisagens
embriões de rizomas
dum prelúdio para o porvir
ao encontro do autêntico tom
compondo um outro novo


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27.8.08

expansão e imersão

a escrita é uma expansão do indivíduo
do que é dele mesmo

não há limites para expandir e interiorizar

o tempo não se gasta,
se vive

o título fica depois do texto
só depois da vivência que a descreve
não há como compactar algo que não foi

ou do contrário permanece
imerso na idéia do que não há


.do texto.

12.8.08

sou árvore

minha raíz é meu passado
- minha história

meus galhos são meus caminhos
- que estou percorrendo

e minhas folhas são lançadas por onde passo:

nas palavras que falo,
nos riscos que escrevo,
nos sons que emito,
e até no grito que não gritei.

15.6.07

escovada de dentes (rizomáticos)



RIZOMÁTICOS: grupo performatico de arte poetico-musico-visual contemporanea: bruno, éderson, gr, julian, pouso alegre, minas gerais.
músicas em: www.myspace.com/rizomaticos
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escovada de dentes
(tempo, passagem, catarse, louco)

o tempo pinga na cabeça de quem pensa
e parece escasso num espaço deserto
quando avistado do por seus extremos

o contrário parece certo, porém complica-se
quando se movimenta em altas freqüências..

será que vai dar tempo?
e se pra nós der, como será para os que vierem?
o tempo será vendido
a vácuo, enlatado,
com cores e sabores diferentes

será o tempo do tempo?

escova os dentes, limpa a gengiva!
acerta o penteado, corre pro atraso!

eu sou suscetível as razões
há razões que se enquadram em lugar algum
apenas em mim
e quero ser
a construção erguer
pois fazer e sentir são coisas análogas ao viver
e pensar não convém agora
já que tudo flui e pode acabar
agora tenho que gritar...

a doença faz sentido
quando se vive
num mundo doente

tem gente passando na rua
mas não é gente, é máquina
tem um ar de vazio
um gosto de nada

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gravado em maio de 2007, no sarau artenativo, teatro municipal de pouso alegre
filmagem: ju e reginaldo, edição de vídeo: bruno nobru

9.5.07

percebendo meu corpo

o que convém
o que não convém
o que se compõe com ele
o que tende a decompô-lo
o que aumenta sua força de ser
o que a diminui
o que aumenta a potência de agir
o que a limita ou a enfraquece
o que resulta em sentimento de bem-estar
o que resulta em sentimento de mal-estar

desdobrar minha potência de agir
meu poder de afetar
de ser causa direta de minhas ações

e não permanecer obedecendo
a causas externas
padecendo delas
estando sempre a mercê