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17.3.10

nunca saberemos


ninguém sabe o que é certo ou errado
pois são valores, e valores sempre estão mudando..

nunca entenderemos exatamente uma coisa ou outra
pois o que a gente sabe muda com o tempo
assim como a gente muda

o corpo é somente casca..
o que importa não é o dedo, é a lua

13.1.10

quem sou-mos?

no início era o nada
e aos poucos foi se entortando
em neuroses e especulações..

a realidade está dentro
entre fluxos e processos
em conjunto com o devir

e quem sou-mos?
um grande mistério..
(deixe a lagartixa em paz)

7.11.09

não existe

não existe o que é ou o que não é para todos
tudo o que é ou não é está unicamente para si

só depois que percebemos
que as coisas eram outras
e que as outras eram nada

10.9.09

das coisas não

defender um ponto de vista ou outro
não nos faz mais ou menos imbecis do que já somos
as coisas se mantêm
pouco diferentes a outro prisma
não há nenhuma grande guerra
ou grande revolução
alteramos partículas de átomos
e moléculas de ar..

a idéia de opostos
não possui mais relevância..
pode-se admitir uma coisa e outra,
duas, três, seis e quantas tantas quiser..
sem medo do não, contrário e inverso
nada, tudo, entre, aqui, lá

28.8.09

percorrem espaços

não sei se sou desse mundo
mas penso que tenho
ao menos meu corpo
mesmo que frágil..

ou talvez eu tenha somente
a idéia de que o possuo
e nem este tenho

se não o tenho
possivelmente não seja nada
um 'eu-não'
não eu

5.8.09

tempo de não ler

tempo de olhar, escutar
abstrair no real
outros sentidos
pouco óbvios

lentear o pensamento
mergulhar no inconsciente
- tempo de nadas
entre nuvens

a leitura retarda a vida
quando em desequilíbrio
com o corpo
..este que sente
e que é, ele mesmo
uma constelação

20.7.09

18.7.09

leitura, vida e silêncio

tal como a leitura
a escrita precisa também
de silêncios
espaços
pausas
nadas


tempos para que o leitor
se sinta enquanto lê
e perceba também
a distinção
entre o livro
e si mesmo

entre os pensamentos
e sentimentos
riscados no livro
e seus próprios

11.7.09

não faço poesias

escrevo minha vida
meus ares
minha sede
e minha des-razão

solto trechos em momentos
que não são parte
nem todo
só momentos..

sou este que não se define
e o que você vê
é o que sou
é o que não sou

31.3.09

protozoários

bactérias, parasitas
dentro de mim
me substituem
como a serpente abocanha
silenciosa e destrutiva
passeiam adentro
me adoece e paralisa
mata lentamente

pouco importa que dia é hoje
parece ontem e anteontem..
um comentário imbecil
surge vez ou outra
e o que se sente
já pouco se sabe
pouco se sente
pouco

11.3.09

seja o que for

não fosse isso
seria aquilo
ou não seria nada

se parar um pouco
as pessoas atropelam
andam se esbarrando
olhando pro nada
ambos não se encontram
o limite está no caminho

corro pro ônibus
nem senti o sabor do café
efeitos invisíveis e sutis
paralisam lentamente a vida
- trabalhar é mau

falar o que se tem pra dizer
e não o que se tem pra repetir
quando vê já não sou eu

quem fala pra mim
e
quem fala por mim?

7.3.09

algo

garagem maracujá
ambulância repolho
algo...

te espero no mar
não precisamos falar nada

5.3.09

meios inteiros tantos


sou meio marrom
      meio verde escuro
      meio azul desbotado
      meio força viva
      meio cansaço sonolento
      meio tudo
      meio nada

tantos meios que compõem
tantos inteiros
que somam mais que eu mesmo
parte que sou
trechos

12.11.08

muito

dias brancos
dias azuis
dias

noites passam
tempo

vida casa
nada

muito

23.9.08

sertezas

olhe bem pra quem está falando
com a maior certeza
é muito provável que entenda pouco
ou quase nada do que diz

15.6.07

escovada de dentes (rizomáticos)



RIZOMÁTICOS: grupo performatico de arte poetico-musico-visual contemporanea: bruno, éderson, gr, julian, pouso alegre, minas gerais.
músicas em: www.myspace.com/rizomaticos
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escovada de dentes
(tempo, passagem, catarse, louco)

o tempo pinga na cabeça de quem pensa
e parece escasso num espaço deserto
quando avistado do por seus extremos

o contrário parece certo, porém complica-se
quando se movimenta em altas freqüências..

será que vai dar tempo?
e se pra nós der, como será para os que vierem?
o tempo será vendido
a vácuo, enlatado,
com cores e sabores diferentes

será o tempo do tempo?

escova os dentes, limpa a gengiva!
acerta o penteado, corre pro atraso!

eu sou suscetível as razões
há razões que se enquadram em lugar algum
apenas em mim
e quero ser
a construção erguer
pois fazer e sentir são coisas análogas ao viver
e pensar não convém agora
já que tudo flui e pode acabar
agora tenho que gritar...

a doença faz sentido
quando se vive
num mundo doente

tem gente passando na rua
mas não é gente, é máquina
tem um ar de vazio
um gosto de nada

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gravado em maio de 2007, no sarau artenativo, teatro municipal de pouso alegre
filmagem: ju e reginaldo, edição de vídeo: bruno nobru