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19.6.09

dialogos e leituras

prefiro outras maneiras de ser e se relacionar,
as faço por conta propria
e as coloco em palavras..
o que nao me torna um profeta ou pastor
nao tenho pressa..
todos somos egoistas, so fazemos o que queremos,
nao adianta muito dizer sim ou nao..
nao sou como eles e nao gosto de fingir..
(como muitos fazem e apesar de nao serem)
me importo com poucos, proximos..
pois sao poucos os que se aproximam
em ideias, sentimentos e pontos de vista..

revoltas silenciosas e mornas
que para quem as percebe tem valor..
sem intençao de grandes mudanças,
nao ha que dizer o que o outro tem de fazer
se algem quiser fazer que o faça por conta propria,
quem quiser mudar que mude, viver que viva..
ha muitas indicaçoes em todos os cantos...

o que mais vale na leitura
é que traga beneficios pra quem le..
seja quais forem, nem que seja pra passar o tempo
caso contrario nao tem motivo..
algumas leituras e papos que resumem múltiplas experiências,
e necessitam de seu momento para vivencia-las..
e assim continuamos andando,
para qual lado for..

1.5.09

sentindo segundos e terceiros

por uns trinta segundos fecho meus olhos e depois abro.
respiro, sinto, observo meu redor, sinto-me vivo, presente.
toco em meu rosto, sinto os dedos, sinto a pele, sinto meu rosto.
escuto minha respiração, sinto minhas veias, meu pulmão

tudo está acontecendo a todo momento
e ninguem está falando nada para mim,
todos estão falando sozinhos, sempre para si mesmos,
e querem que eu os ouça.
eu sei que não sou como eles e não preciso fingir,
o que me faz bem não é o mesmo que faz outros bem
eu não sei sobre tudo e talvez nem exista "tudo"
(palavras são somente referenciais de coisas e fatos,
de coisas que são e de coisas que não são,
de coisas minhas e coisas suas)

pessoas e professores costumam dizer o que é certo,
o que deve ser feito e o que faz bem,
mas eles mesmos não o fazem ou nem sabem o que seja realmente.
gostam de tentar manter o controle e para isso usam tantas muletas..

"poetas dizem tantas palavras e muitas vezes não dizem nada,
eu estou aqui e não tenho nada a dizer, e isto é poesia" (john cage)
"convicções são mais inimigas da verdade que mentiras" (nietzsche)
"a verdadeira filosofia é reaprender a ver o mundo" (merleau-ponty)
"se não sabe escutar, não sabe falar" (heráclito de éfeso)

para conhecer, há que se questione o que se pensa
e vivenciar a experiência,
a relação coloca em diálogo comigo mesmo, a abertura é o caminho
..conflitos e frustrações geram possibilidades e potencialidades

fecho meus olhos por uns trinta segundos e depois abro.
respiro, sinto, observo meu redor, sinto-me vivo, presente.
toco em meu rosto, sinto os dedos, sinto a pele, sinto meu rosto.
escuto minha respiração, sinto minhas veias, meu pulmão,
só que agora a alguns dedos mais próximos de mim mesmo.

(eu comigo mesmo, 2009)

15.10.08

clube da luta

O filme “Clube da Luta” apresenta a vida de uma pessoa “comum”, um sujeito que trabalha para uma empresa de automóveis e leva uma vida que se resume em trabalhar, consumir, dormir, viajar a trabalho, trabalhar, consumir, dormir, e assim por diante, repetidamente. O personagem se encontra numa situação problema quando começa a ter insônia, e aos poucos vai começando a perceber, em frente a uma máquina fotocopiadora, que sua vida não passa de uma cópia, de uma cópia, de uma cópia...


Ele procura médico em busca de algum remédio que o faça dormir, e o médico diz que não pode receitar. Ele diz que está sofrendo, e o médico diz que se ele quer ver mesmo sofrimento, que visite grupos de apoio para portadores de câncer de testículo. Ele começa a visitar reuniões do grupo e passa a se sentir bem e voltar a dormir tão bem quanto uma criança. Logo ele busca por grupos de portadores de outros tipos de câncer e se torna um viciado em grupos de apoio. Até que, um certo dia, se depara com Marla, uma depressiva com ideação suicida que também visita os grupos de apoio ao câncer, sem ter câncer. A mentira de Marla reflete sua mentira e ele não consegue relaxar com isso, fazendo com que ele volte a perder noites de sono.


Após uma viagem de trabalho, ele se depara com seu apartamento explodindo inesperadamente, exatamente no dia em que ele conhece Tyler Durden, um sujeito subversivo que possui ideais revolucionários e uma linguagem de terrorismo poético, ele trabalha em empregos noturnos, e vende sabão que ele mesmo fabrica com banha de lipoaspiração roubada de clínicas de estética. Como não há para onde ir, após o apartamento detonado, Tyler passa a hospedar o personagem principal em sua residência, um casarão abandonado. Juntos eles fundam o Clube da Luta, com a proposta de que se encare a vida como algo a ser experimentado, para que ela tenha sentido, "quanto você conhece de si mesmo se nunca entrou numa briga?". As vivências dele e de Tyler vão se entrelaçando, o que conduz e potencializa um jogo esquizofrênico entre um deles, ou os dois.


Em meio as lutas, Tyler diz frases que transmitem seus parâmetros que quebram com a maneira pela a qual encaramos a vida cotidianamente. Algumas das frases serão associadas a críticas a sociedade de consumo, as frases ditas por Tyler Durden estão entre aspas. Um dos pontos centrais do filme está relacionado com o que fazemos de nossas vidas. Geralmente trabalhamos para produzir o que não consumimos, muitas vezes, consumimos o que não é necessário, guardando em nossas vidas um estoque de coisas que não utilizamos e não utilizaremos para quase nada, e, por fim, nunca ficamos satisfeitos.


"Você não é seu emprego ou o dinheiro que possui", "as coisas que você possui acabam te possuindo", tudo o que é preciso para esse sistema funcionar são de pessoas para produzir de um lado, e pessoas para consumir, de outro. Que o gasto com a produção seja baixo e o valor do produto, alto. O que gera o tal do lucro de alguns, fomentando a ganância. E, o pior de tudo, é que somos nós os que produzem e consomem, assim servimos de baterias condutoras desses processos. "Essa é a sua vida e está acabando a cada minuto".


Por que não estamos habituados em consumir somente o que realmente precisamos? Por que consumimos qualquer coisa que a propaganda tenha veiculado aos nossos sentidos? Por que nos submetemos a trabalhar em serviços que não gostamos? Tyler diz que “A propaganda nos faz correr atrás de coisas e a trabalhar em empregos que odiamos para comprar porcarias de que não precisamos."


Isso tudo gera uma cultura do individualismo egoísta que exclui a existência do outro como pessoa, cada um quer se importar com seu dinheiro pois o que almeja são objetos a serem comprados, é o 'ter' e não 'ser'. "Você nem quer saber onde moro, o que sinto, como alimento meus filhos ou como vou pagar o médico se ficar doente”.


Não podemos esquecer que vamos morrer um dia que e a nossa vida terá sido sempre a mesma se não mudar a maneira de encarar as relações, e, quando morrermos não teremos mais nada de nada, principalmente não teremos nós mesmos – o que passamos por muito tempo deixando de lado. "Estamos arriscados a morrer a qualquer hora, a tragédia é que não morremos".


Por fim, “fomos criados pela televisão para acreditar que um dia seríamos ricos, estrelas de cinema e do rock, mas não seremos, e estamos aos poucos aprendendo isso", Tyler Durden.

20.3.08

ditaduras históricas e diárias

Escrever sobre a ditadura é um pouco complicado pois trata-se de uma época histórica que muitos não querem recordar e preferem abafar, tanto para livrar de suas responsabilidades quanto para esconder seus ecos nos dias atuais.


A Ditadura Militar no Brasil foi financiada pelos EUA com o intuito de conter qualquer ideal que divergisse ou conflitasse com o modelo capitalista, teve seu início em 1964. Na ditadura, os meios de comunicação foram fortemente manipulados pelo autoritarismo e pela censura. Nossos pais e avós vivenciaram dias com sentimentos de medo e culpa constante, onde muitas coisas tinham que ser feitas às escondidas, com o risco de serem pegos, presos, torturados ou mortos. Quanto vale a vida mesmo?


Alguns religiosos, estudantes e comunistas tentaram se unir para estabelecer meios de ação contra esse abuso de poder. Enquanto isso outros faziam de tudo para esconder os acontecimentos, um juiz filho da puta censurou registros de torturas verbais, físicas e psicológicas de pessoas que apanharam peladas e sofreram choques elétricos. Algumas pessoas preferiram optar pelo suicídio a viver nessa condição de coisa.


Muitos desses fatos ainda se repetem com outras roupagens, trata-se de como a herança histórica da ditadura afeta nosso dia-a-dia: toda a repressão gerou uma sociedade medrosa, despolitizada, alienada e apática. Vivemos a ditadura ideológica da exclusão, da moda, do preconceito e da discriminação, da opressão indireta, dos olhares repressores, do consumo que nos consome. Somos excluídos e marginalizados do direito e acesso às leis que nos garantem a vida e a dignidade, em nossa sociedade o direito serve aos que possuem dinheiro e instrução acadêmica, a democracia é fachada e não praticada.


Portanto, é imprescindível que haja uma conscientização popular de nossa história e que seja exercida a justiça através da punição de todos os membros que estiveram envolvidos na ditadura e na cessação de qualquer prática de autoritarismo. Precisamos tirar a idéia de poder que nos foi ensinada como característica dos policiais, da mídia, dos professores, dos padres e juizes. E ter a consciência de que todos os espaços são políticos – portanto de debate e modificação: a igreja, a escola, a empresa, a rua, o clube, a praça, o bar, etc.


É preciso muito cuidado com idéias de que o “sistema” ou a “sociedade” são instancias separadas de nós mesmos e de nossa vida. Há frases que favorecem a apatia política, tais como: “é tudo culpa do sistema”, ou: “a sociedade é assim mesmo”. Oras, a sociedade somos nós: cada um faz parte de sua construção, e o sistema é alimentado pelos nossos comportamentos; podendo ser aceito ou negado, de acordo com nossa prática diária.


Aos poucos vamos entendendo que não há deus, mas que estamos sozinhos no mundo. Isso pode causar um mal-estar ou medo inicial, mas nos permite perceber que somos nós que fazemos o mundo com a nossa cara, desde que sejamos autênticos e participativos – exigindo o que é necessário e se negando a fazer o que não concordamos.

18.3.08

respeito e relações de poder

É preciso muito cuidado quando se fala em necessidade de respeito, de ética, de liberdade e de limites. Como se delimitar o que é respeito para um e para outro? Qual a liberdade que cada um é permitido de exercer a outrem? Qual o limite de cada um? Como agir com respeito com pessoas diferentes de mim?


Percebe-se que há um distanciamento entre respeitar e a necessidade de ser respeitado, pois são duas instâncias diferentes, ou seja, eu posso tratar pessoas de maneira que é respeitosa para mim, porém pode ser que essa minha maneira não seja a mesma que as pessoas com quem estou lidando aprenderam ser respeitosa. Um ato que para mim é de respeito pode ser interpretado como desrespeito.


Ética e respeito são, então, temas relativos – que possuem diferentes maneiras de se interpretar e de se relacionar por diferentes pessoas – diferenciam-se de acordo com o conteúdo cultural e subjetivo de cada sujeito. O que então diferencia uma relação de respeito para uma relação de desrespeito? Como ter o conhecimento prévio do que é respeito para cada pessoa para se agir respeitosamente? Como delimitar o que é respeito para mim a cada pessoa antes mesmo que ela me desrespeite?


As questões levam a difíceis respostas, principalmente por se tratarem de relações tão sutis, pequenas, complexas e difíceis de serem descritas, que muitas vezes não são dialogadas e sim delimitadas pelo exercício do poder. Muitas vezes o desrespeito acontece num olhar repressivo, numa punição, numa manutenção de uma tradição limitadora. Agora parece que o respeito está muito ligado à maneira em que se estabelecem e realizam as relações, os jogos de poder, a democracia, os espaços de cada um, o uso da autoridade, a repressão, etc.


A democracia é nos ensinada como justa mas, enquanto a maioria elege um candidato, a minoria têm de suportá-lo, e isso é justo? O que é justo então, a declaração universal dos direitos humanos? o cristianismo? o george bush? o pt? o anarquismo? o existencialismo? a psicanálise? Nesse caso não encontro solução, definição se define então, sem definição

8.3.08

silambuze quem quiser ler

as idéias estão pontuadas soltas, para voarem
- o leitor cria seu sentido en su leitura...
(o ato de ler es tan inventivo quanto escribir)


a lei estabelece, e a vida acontece na prática cultural e subjetiva
tenta-se ligar teoria e prática, porem ni siempre acontece
ha muchas colonizações – todos los días
- por veces se discutem tabus sem quebrar tabus
normas atrapalham as vivências
– o grupo se constrói por si próprio, e não por fora
micro-faltas-de-respeito a diferenças enrustidas:
e o tal do direito de decidir de cada um?
enquanto isso, vou devolvendo meus sentimentos com intensidade, porem por outras vias


fui percebendo a necessidade de equilíbrios:
entre momentos só e momentos coletivos
momentos de estudo e de pausas
momentos racionais e momentos espirituais
momentos urbanos e momentos com a natureza
momentos de turbulência e momentos de calmaria
momentos humano e momentos animal
vivencias tribais, místicas, e assim por diante...
conhecimento para mim é experiência e é só vivendo que vivimos
las experiencias mutam vivencias se não ficar solamiente na teoria
a saúde e a educação, para mim, têm de ser exercidas em liberdade
e há muito perigo nas receitas prontas de intelectualóides


estudo o outro pois ele me afeta e eu o afeto nas relações,
mas a minha causa é a mim mesmo
a importância que dou ao outro se constrói pelo sentimento que estabeleço em vivencia, não por uma idéia altruísta ou solidária


conflitos caminham para possibilidades, caminos e potencialidades
- desobedecer é essencial para viver bem e tener salud
por vezes a ‘não-participação’ es participativa
– hay diferentes ramificaciones de participação
não há ´onde chegar´, mas o que caminhar... vivenciar e escolher ..caminhos em passagens
cada um vive a sua paisagem, não somos iguais:
todos os modos de subjetivação são lícitos
num certo momento todos queriam pular,
lembrando-se que foder faz bem!


eu crio a minha justiça na relação
– sou eu mesmo minha sentença, meu juiz e meu juri
não ha uma liberdade, mas ideologias de liberdade
não ha uma espiritualidade, mas diferentes experiências espirituais
é tudo muito particular e subjetivo,
cada estrela com suas cores, sabores e movimentos
somos planetas, asteróides, estrelas, cometas e constelações
em mutação constante

5.1.08

prelúdio

o que escrevo é para os de consciência livre – provavelmente estes que me compreenderão, porém dedico também aos que buscam esta consciência livre e sugiro que o façam sozinhos, por si mesmos, que tornem fortes e autores de seu caminho

a melhor companhia para a leitura do que escrevo é a de si mesmo e nada mais... não há nenhuma intenção em minha escrita de compor alguma verdade - se você estiver lendo com esta intenção já digo de cara que não é o que encontrará aqui e que não é essa minha busca, tampouco minha caminhada

sugiro a escuta do silêncio, que se permita ler além das letras e a si mesmo; que não tire conclusões precipitadas, não tenha pressa em ler. e escreva você também o que pensa, sente e quer: seja sincero contigo, não queira me agradar, pois eu também não quero te agradar

crie teu caminho no caminhar, concorde ou discorde, desobedeça seus atos mais nocivos à si mesmo, aos atos de ceder a sua vontade, de se privar, de se viver no medo e na mentira hipócrita do homos-burocráticus

“as coisas que você possui acabam te possuindo”, “você não é o que você possui”, são frases que estão no ‘clube da luta’. voe com elas para adiante e jogue fora sua calça (aquela que já cansou de usar e nunca se sente bem), largue tua moral antes que ela te denuncie, esqueça seu celular numa esquina qualquer, mostre a sua cara, sem cenas se permita a desobedecer, a agir em favor de si mesmo, mas conheça tua vontade... atente para a diferença entre fazer o que se quer fazer e fazer o que os outros querem que você faça – o que eles esperam de você, o que você espera de você?

não tente entender racionalmente o que é certo, verdadeiro, justo e bom. experimente viver o que surgir e permita que você mesmo avalie o que sentiu, se foi ‘bom’ ou ‘não’ depois. não permita que seja consumido pelas crenças que meios e as pessoas empurram a você.. tão simplistas e ordinárias, inconsistentes e refutáveis não se cobre por ler isto - deixe jogado em qualquer canto, leia de vez em quando, poucas palavras, talvez uma página por mês – pois é por aí a leitura, é aos poucos que ela acontece, pois é aos poucos que a gente acontece... e não tome o que esta escrito aqui como qualquer outro texto, pois ele não é um qualquer...

você está lendo um texto que alguém escreveu, uma pessoa dum ponto da terra. talvez o autor desse texto já esteja morto, ou não, quem sabe? e você? há quanto tempo você não lê com atenção, já parou para pensar nisso? sabe a experiência de vida de quem o escreveu? e a tua? há quanto tempo você não conversa com alguma pessoa que encontra em seu dia-a-dia – estou falando de conversar mesmo, não fofocar ou tagarelar? e quanto tempo para você mesmo?

por que não desburocratizar relações? descoisar pessoas? lembrar que a gente é gente e não computador, celular, roupa, carro ou textos decorados... temos história, valores e cultura – cada um de nós é uma estrela com sua particularidade indescritível e imensurável viver a vida, o riso, a faca, o amor por si mesmo, pela vida, pelo sol e por cada partícula de ar que se respira. sentir a dor que também é real e saber que a gente vale muito mais do que qualquer coisa que a gente tenha

os espaços em branco estão para serem apropriados: riscados, escritos, gritados, etc

7.3.07

paisagens

E como eu queria escrever, o ato fez-se e aqui estou, não só eu mas outros também, inclusive os que não estão. Ontem estava pensando, sacando e sentindo entre outras coisas, o que denominei para mim mesmo como 'paisagens', que se estabelecem numa percepção de imagens, sons, idéias, sentimentos, momentos, cores, odores, etc. Sendo a relação destas um momento único, momento este do qual se vivencia diversas vezes, todos os dias. Alguns com mais intensidade e outros menos. Tratam-se de configurações complexas que não se nomeiam nem se categorizam por completo, também não há o que se julgar ou discriminar. Nelas contêm o que há e o que não há, para o além do que se escuta, sente, vê, cheira, escreve, ...


Cada paisagem configura-se num todo pseudo-particionado, completo e faltoso, subjetivo e inconsciente, orgânico e concreto. São meros símbolos as palavras que tento utilizar para descrevê-lo, imperfeitos ideais de coisa, o que não é se [se aproximar] nem se [distanciar], mas tal-vez associar. Descrever qualquer paisagem é um ato ingênuo, pois esta se vivencia, é uma experiência, não um conceito. Os comentários são com intenção de intensificar vivências, não para se guardar conceitos e ficar parado como um sábio-tolo.


Na arte, a paisagem pode ser associada às performances, onde se entrelaçam ações improvisadas; mixando poesias, músicas, danças, apresentações teatrais, pressupostos conceituais, ... O que a torna uma arte performática, uma arte de paisagens, cenas complexas, multifatores, rizomas e reações.


Um de meus eus percebe o quanto tenho eus que são meus e eus que não são meus, quem sabe um equilíbrio fosse uma saída, porém não sei mais o quanto me vale essas saídas ideais, antes fossem saídas práticas, simples, bobas.


Do que se lê, o primordial é que se aplique na vida. E não é somente o que se vivencia, é isto inicialmente, para depois ser mais e mais forte e tornar-se outro.


De costume, não gosto de escrever muito. Os que escrevem muito parecem, muitas vezes querer dizer verdades, e não é isso o que pretendo, mas sim escrever para mim, sobre relações e vivências, relações sobre idéias de relações, relações entre idéias de verdade, mutações entre experiências práticas. Quando se escreve muito, se delimita idéias e vivências, cortes, tempos e vidas; ou se distancia por demais do que se pretende? parece ser como enxerga. O poder é subvertido quando não se exerce ou quando não se permite que seja exercido e nada mais para esse trecho. A estética que se costuma utilizar na escrita e no livro não é, pois, o que se parece com as revoluções tecnológicas e vivencias atuais. Como muito mudou e muito permaneceu, o que permaneceu se mantêm distante. O pragmatismo da linguagem mantêm paradigmas que já não se correspondem com as vivências, que se realizam em paisagens e em movimentos, que não se decodificam da mesma maneira que a repetida.


Regras sociais, valores, linguagens, amores e dores se estabilizam em pequenos grupos sociais: normas de seitas religiosas, de escolas, famílias, empresas, grupos de amigos. Porém na sociedade elas se multiplicam, se interferem, se chocam, se alteram, se decompõem, se transmutam e, de repente, já não são quase nada do que antes eram.


Não me vem ao caso que o outro pense ou diga que estou louco para com o que escrevo, é minha particularidade enquanto pessoa, minha diferença que está em questão, não um ‘conceito’ a ser defendido. Muitas vezes quando se diz algo à alguém a crítica se mantêm pois o outro é visto como ‘doutor de verdades’, como se esta fosse a função dos livros e da linguagem: enunciar verdades. Alguns ‘não concordam com o que escreveu o autor de tal livro’, ou ‘não concordam com o que diz o colega’. O autor escreve para ele, o outro fala para si mesmo, eu para mim e você para você; cada um sua visão de mundo diferente, cada um sua paisagem, sua brisa.


Perna cheia de picadas de insetos, pés sujos, acabei de lavá-los no tanque. O escritor não é o que pára em frente à folha, faz sua reflexão e escreve sua ‘idéia’ em palavras, mas escreve no intervalo do tempo, na fila do banco, na viagem de ônibus; é sujeito de outras vivências e escreve por outras circunstâncias. Não há anunciador de nada, o importante para mim agora é que quero tomar um pouco de café.


Algo meu não se trata de uma verdade, mas de uma construção momentânea, uma brisa. Não agir por pressuposto talvez seja uma das condições para a liberdade, para um caminho outro... Não responder é, muitas vezes, mais libertário do que dizer algo... O simples fato de se cumprimentar alguém já exclui uma espécie de liberdade. Uma linguagem diferente pressupõe e propõe uma vivência diferente, única e liberta de outros pressupostos anacrônicos, ideais e 'a prioris'.


A construção que se busca com isso é a construção do nada, que deriva de uma paisagem [outra] experimentada. A escrita propõe um segmento, as vivências des-segmentam-se os segmentados. A voz do silêncio e as meditações do budismo tibetano proporcionam a escuta do que não há. Com uma tesoura pode-se cortar palavras que se interessa de um texto e personaliza-lo, desmonta-lo e remonta-lo da maneira que preferir. Enquanto alguns eus ficam de fora, os que se mostram aparentam ser o todo.


A descrição das paisagens, não termina, pois sai do texto para além, da imagem e da sensação momentânea, voa nas potencialidades que cada um socar. Onde há planta, há planta, onde não há, há planta em potencial. A paisagem está aí, a diferença brota do nada, e o que importa agora é brotar.


bruno, nobru e outros, 7 de março de 2007.

5.7.06

alguns de meus eus

um escritor surreal, que só lê o que ele proprio escreve e nao lê uma letra sequer de qualquer outro, mais um dos meus eus incomodados, agitados e anti-sociais, um quebrador em essencia, um ser instavel e autentico com seu sentimento mentaneo; um musico que escuta pink floyd e syd barrett; um pintor que observa plantas e flores.


um dançarino que usa de seu corpo um instrumento, um meio de expulsar de si seus males internos, como que numa catarse de movimentos irregulares e instituais, ditos 'primitivos' pelos seres que se auto-intitulam superiores e 'humanos', esse bando de tolos que merecem meu aior desprezo, tal como meus professores universitarios. um escultor que talha a madeira simplesmente por talhar, advindo de um desejo sem especificaçoes, que simplesmente flui de suas visceras para a matéria, com a força do interior de sua subjetividade, e com isso cria materialmente visíveis pedaços de seu inconsciente imaterial infactual.


um colecionador de discos que os escuta atentamente e permite que a musica dance em seu crânio, de modo que seu sentimento flua por entre seu corpo inteiro e o som vibre explosivo como uma bomba por todos seus musculos.


e, todos esses meus eus se encontrando em consonancia com uma dança em ritmo tribal-minimalista, jorrando sangue por todos os lados, para que sintam os nervos; se unindo em celulas nervosas que explodem menstruação de sinapses para todos os lados, cospem vômitos e dentro de seus coraçoes; numa uniao completa e simbiotica, numa orgia tântrica, num orgasmo coletivo; adentrando cada qual em sua bruta porém bela natureza interior.


(junho de 2006, em pocinhos do rio verde)

12.5.06

símio e sub-homem

do simio surgiu o sub-homem
e dele o neanderthal, que era europeu.


o titulo 'humanidade' é dado aos assassinos,
os que mataram o homem de neanderthal.
muitas outras espécies morreram,
e muitas hoje ainda morrem..
os que mais matam atualmente sao os murders.


[conheces um simio amigo?]


pouco depois vieram a raça cro-magnon e grimaldi,
que caçavam com lanças e pedras, e faziam tendas de pele.
estes migravam lentamente, tal como o bisonte e o cavalo,
que seguiam a rena para o norte e para o leste.


a escrita é feita de desenhos, a aurora se deu no paleolítico;
o pensamento primitivo era atraves de imagens;
a açao, de acordo com as emoçoes que surgiam,
possivelmente como uma criança antes de ser proibida.


[a especulação dos historiadores é primitiva]


o egoismo individual foi boicotado para que se consolidassem
as primeiras sociedades, de grupos familiares.
a ciencia de causa e efeito dos primórdios, tal como hoje,
muitas vezes remonta o efeito à causas aparentes.


não somente os fortes permaneceram,
mas também muitos fracos;
para que os primeiros deleitem sua vida
através do abuso destes.


a mídia publica o que é util aos que pagam a publicaçao,
assim eles enriquecem, utilizando cada pessoa
para a realização da felicidade deles,
da sua festa e de seu gozo.


e o jogo continua, dia-a-dia..

20.5.00

um experimento com distúrbios

O telefone toca porque tem alguém dormindo, na realidade foi em uma cinzenta manhã com o silêncio quebrado pelos motores dos carros na estrada. Então tudo o que estava guardado por muito tempo se transformou em algo.
Como uma poeira, inútil, merecendo ser rejeitada pelo que fez.
Levando consigo toda solidão que seu coração guardava.
Não ouvia mais o canto dos pássaros em su2€nela, sua mente evaporava ... .. . consumindo os sentimentos que um dia sentiu.
Nada será como antes (e) afinal seus sentimentos foram perdidos.
João sentiu (com a ajuda de a saucerful of secrets/b) uma meia que ele um dia usou e desfragmentou seu tato, ao seu lado uma luva que ele nunca usou, todos a usavam, e todos usam capacetes e outras coisas fora da realidade.
O metal invadia sua mente, uma espécie de ferro sujo e contaminado.
Às vezes ele tinha que usar o álcool para que suportasse as humilhações (álcool mofado).

Ele tem que trabalhar / tentar juntar dinheiro para comprar sua chave; muitos anos juntando dinheiro só que depois de tudo ele viu que tudo era imperfeito, sujo que consumiu sua mente e estuprou suas idéias.

Uma planta não era o suficiente. O pedaço da madeira morta era bem parecido, o teto o prendia, a mente sorria, batia e chorava, uma cela era parecida mas havia uma angústia.

Aphatia, Linn, poderiam ter outros significados, mas realmente ajudaram, ... - até agora estavam ajudando -

Impossível poderia ser uma palavra, mas tem muitas e mais ainda (como se fosse fácil descrever algo) uma caneta ajuda, teclas também, mas não solucionam.
Assim como os gritos aflitos que vêem de dentro do armário e de baixo do tapete - insignificantes - aos olhos (bastardos de um mundo capitalista), assim como eu.... insignificantes , como uma estrela no céu. Cada minuto de minha vida é desperdiçado em sonhos que não se realizam.

Enquanto respiram, às vezes tento parar por uma ação podre
(do que poderia se esperar?)
Opiniões não consultadas, contra dizeres.


roney, bruno, maio de 2000.