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18.9.09

ontem à noite

com algumas moedas contadas suando na mão, no ponto esperando o último ônibus (das onze), faróis e luzes passando por mim - e eu não sei o que realmente acontece./ pessoas paradas, pessoas andando, dentro e fora - a comunicação por símbolos e silêncios, sombras, atalhos, estilhaços, folhas, riscos..
são tantas vozes e sons que nem sinto o cheiro de minhas pernas e nem vi quem tá do lado. a calça tinha rasgado na bicicleta, de novo. / correia solta e a recoloco várias vezes - tudo chaqualha, mesmo parado...  múltiplas sensações, se mata e se morre..


5.9.09

des-escrita

poluição, vícios, falsos, vampiros, atalhos, folgados
seres que não enxergam nada além de seus corpos
fogo, ar, olhares, forças, orelha, potência, fala
já percebe-se de longe indivíduos dissimulados

cada um quer que acredite em suas verdades..
enquanto tantos estão nem aí pra nada, calados consentem
..as coisas só fazem sentido se estiver vivendo
ninguém tem o direito de julgar ou falar em nome de outro

8.4.09

enquanto ando

quem sabe falar fala
quem não sabe ouve
quem cala consente

a aparência e a postura
indicam estigmas culturais

enquanto ando
         assisto a cidade
sou urbano
    tomo o ônibus
    e ele me toma

assito a cidade
         enquanto ando

6.11.08

me vejo

me vejo no espelho e não me acho
cabelo, barba feita e trabalho,
trabalho

registro, sentido
guia, recolhimento
ar, sons
espaço, tempo

a roupa fecha
a bolsa pesa
escolhas cansam

quero dormir e não consigo
já me atrasei comigo

31.10.08

translocação

resta-me a dor
de me dar o que mereço
num dado ardor de ver
a face que me rói
o resto do meu rosto

a cor do ar que vem
colorindo o ido no voltar
no ato de poupar a falta
e violar o excesso


(plagiotropia brunática, 1)

22.10.07

interno

momento sereno
leve suspiro
olhar me profunde
afunda em ti
instante silêncio
se ando ou fico
vou perceber
num simples olhar
semblante resposta

passa o tempo

muda a rota
vai o momento
seca o rio
bela palavra
abraço interno
inteiro

22.6.06

heranças

herdamos doenças psíquicas e fatalidades
de nossos pais, avós, sociedade, cultura,
escola, vizinhos, amigos, primos, ...

herdamos tampões nos olhos
e nebulosas na mente