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16.2.13

escrita e publicação independente

bruno nobru fala sobre seu livreto "cada vez mais menos",
produção escrita e publicação independente.
matéria pelo jornal da TV Libertas de Pouso Alegre - MG
edição: Carlos Filho | imagens: Nelson Aoyama
produção: Ana Paula Dias | apresentação: Marcelle de Paula

12.2.10

tal como a vida

a música, tal como a escrita, não precisa ser bela ou harmônica..

elas só precisam ser ..  (tal como a vida)

16.1.10

textos e sentidos

todos os textos fazem sentido
depende da leitura que fazemos deles
nossa leitura é tão inventiva quanto a escrita

2.1.10

andarilhos e astronautas

o que escrevo
cria espaços que não existem
fala com gente que não nasceu

cria seres e coisas
preenche vazios
de andarilhos e astronautas

15.12.09

dança das letras

pra escrever, não precisa ler, mas viver (sentir)

ler é um movimento, escrever é outro
com a leitura, saboreio partes das vivências subjetivas de outros..
e quando escrevo, pinto minha própria subjetividade pro papel
que não precisa se associar com as produções de textos dos outros

minha escrita tem dependência unicamente comigo
com minhas experiências de subjetividade
é portanto um resultante duma relação de eu comigo mesmo
que se usa de signos de uma cultura
(a qual estou inserido fisicamente)
mixando-se com significados particulares,
para que possa ser executada

tal como um índio
utiliza de seu corpo para sua dança de sol ou de chuva..

22.8.09

19.8.09

sugestão

sugiro ler com pausas
em silêncio


respirando

e sentindo
o que se vê

21.7.09

ar riscando

ando movendo riscos
tanto quanto o ar
que mescla nuvens
no vai e vem
- abstratos

cenas lá
cenas si menor
seja dia
seja noite
ou Y

é invisível,
mas a gente sente

18.7.09

escrita viva

do que se vive
as idéias não surgem claras
mas em fragmentos

para o que faço
não ha o que explicar
afinal, eu sou eu

alguns escrevem para deixar bonito
e mostrar o quão são sabidos
para seus amigos e próximos
eu escrevo o que estou sendo
e o que estou para ser

não foi um estudo
que levou isso a ser escrito,
mas vivencias...


trabalhar é condição
- viver é preciso

leitura, vida e silêncio

tal como a leitura
a escrita precisa também
de silêncios
espaços
pausas
nadas


tempos para que o leitor
se sinta enquanto lê
e perceba também
a distinção
entre o livro
e si mesmo

entre os pensamentos
e sentimentos
riscados no livro
e seus próprios

11.7.09

não faço poesias

escrevo minha vida
meus ares
minha sede
e minha des-razão

solto trechos em momentos
que não são parte
nem todo
só momentos..

sou este que não se define
e o que você vê
é o que sou
é o que não sou

25.6.09

setas no ar

..belas neblinas
onde se enrolam e se desenrolam
sentem e experimentam fluidos

vidas, lugares,
momentos..

que a brisa soe leve
em seus galhos
com ares de camomila

belas palavras
não compõem caminhos,
muitas vezes
o que mais vale
é o silencio

11.6.09

leituras e vivências

muitos dos que dizem saber o que leram
não sentem sequer uma gota
das palavras que leram..
se aprimoraram em dizer que sabem
e deixaram de lado a experiência,
o sabor e o sentir..

nao é entendendo as palavras
que se compreende algo,
mas entrando num estado de confusão
e abstração de sentimentos e ideias
vivenciadas corporalmente
que se absorvem os rabiscos

palavras tentam expressar experiências
mas para alguns, são só rabiscos
...estão para expandir existencias

diferenças e semelhanças

os outros..
me desejam
a sua imagem e semelhança..

e eu troco seus deus
pelos meus eus,
aqueles meus
que sabem que as melhores sugestões
são as deles mesmos

sou muito do que escrevo
e muito do que nao escrevo
poucos muitos e tantos nadas..

21.5.09

desencontros

por que se escrever escreve?
digo a caneta o que penso andando
e o que ando pensando
(de bicicleta ou parado)

nascemos ilimitados
e vamos nos limitando
por nossa própria história,
pela vida que levamos,
e nossa condição...

mas a vida sempre quer mais
enquanto alguns querem
se vender e se comprar
por tão pouco..

assim como um cavalo
as pernas vão enrijecendo,
tomando espaço e forma ____
lugares meus e não-meus
dias sins e dias nãos
desencontros

31.10.08

segmentos

todos os modos de subjetivação são lícitos
ler galhos é percorrer caminhos

cada um é um planeta
num pluriverso
não há o que particionar
nem categorizar

as relações são entre subjetividades
entre galáxias e histórias
e a leitura pode ser tão inventiva quanto a escrita

o texto são palavras
e o leitor é o que vê, interpreta
cada olhar uma versão

28.10.08

pseudo-acadêmicos

o soluço dos pseudo-críticos
pseudos-pseudo

um seletor criterioso de palavras
vibra com desconstrução?
- grotesca metafísica nebulosa,
numa ex-bateria de lítio
oxidada de "alta cultura"

2.9.08

escrita viva

o que escrevo é a vida
e não o contrário

tem muitos escritores
que estão para a morte
para a morte deles
e de seus leitores

um tempo atrás vi minha vida
a vida morta que tinha
que por vezes ainda me deparo
essa vida morta que se repete
que um dia parece o outro
não se sabe mais se é segunda ou quarta
se é dia ou noite
mas vai..

e pra onde? até quando?


a gente fica por aí pirando
e falando mal de quem anda com pasta
pra ir pro trabalho

de repente é a gente que ta indo
com pasta ou sem,
pra quele caminho

o corpo,
por vezes
é fragil


-pela vida e pela morte

27.8.08

expansão e imersão

a escrita é uma expansão do indivíduo
do que é dele mesmo

não há limites para expandir e interiorizar

o tempo não se gasta,
se vive

o título fica depois do texto
só depois da vivência que a descreve
não há como compactar algo que não foi

ou do contrário permanece
imerso na idéia do que não há


.do texto.

5.6.08

andando entre nuvens

a polícia é uma piada
o estado uma arrecadação
e a vitrine quer nos atrair
interprete-os como quiser
isso é problema seu, não meu
e fique claro que não sou só o que escrevo


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