25.8.09

instinto de insecto

do alto se observa as engrenagens
retirando a membrana ocular
da boca a língua


a garganta aberta, aberta
onde o asfalto corre tremendo
da cabeça a caixa craniana
pinga o resto da chuva


do risco ao corte
parte o ar e torna-se fogo
a pele incha - expande em si
e o sonho brota
livre de variáveis do cotidiano


fortes querem ser autores
e agem como tal
aos fracos, lhes restam ser platéia
e quando agem ..
guiados pelos primeiros

5 comentários:

Max disse...

O texto me pareceu ter uma forte alusão marxista, principalmente com a última estrofe. O instinto do insecto seria como o de qualquer um em estar submisso, ainda, ao Super-Homem de Nietzsche, um texto bem trabalhado que requer leitura atenta e calma, muito bom!

ParadoXos disse...

parabéns, texto profundíssimo e pensante!!

abraço

Nocivo disse...

Indiquei o seu blog com um selo:
http://literaturanociva.blogspot.com/2009/08/selo.html

Parabéns pelo trabalho!

bruno nobru disse...

Max, interessante sua interpretação, ao meu ver prefiro aproximá-lo a concepção de Nietzsche.. obrigado mesmo pela indicação! só não me achego muito a palavra "trabalho" (me lembra algo chato, cansativo, falso) o que escrevo não é trabalho.. sai de repente, não paro para escrever.. de repente escrevo, é fluido..

bruno nobru disse...

ParadoXos, valeu, gosto pacas da palavra "paradoxal"